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Arquitetura de software X Design System: entenda a diferença

Mãos desenhando e anotando em uma folha com a palavra “DESIGN” em destaque e termos de planejamento e conceito ao redor.

Em times de produto, design e engenharia, “arquitetura” e “design system” aparecem na mesma conversa com frequência. Apesar de estarem no mesmo contexto, eles resolvem problemas diferentes. Quando essa diferença não fica clara, surgem decisões desalinhadas, retrabalho e testes mal direcionados: o time tenta corrigir na interface algo que nasce na estrutura do sistema, ou tenta “resolver arquitetura” padronizando botão e tipografia.

Este texto separa claramente os conceitos, mostra onde eles se conectam e como isso afeta QA e automação de testes no dia a dia. 

O que é arquitetura de software?

Arquitetura de software é o conjunto de decisões estruturais que define como o sistema é organizado, como os componentes se comunicam e como ele se mantém sustentável ao longo do tempo. É onde entram escolhas que impactam diretamente escalabilidade, segurança, disponibilidade, manutenção e custo de evolução.

Perguntas típicas de arquitetura:

  • Como o sistema é dividido: monólito, modular, microserviços, camadas?
  • Quais são os limites entre domínios e responsabilidades?
  • Como serviços e módulos se comunicam: síncrono, assíncrono, eventos, filas?
  • Como ficam autenticação, autorização, observabilidade, tolerância a falhas?
  • Como dados são armazenados, versionados, migrados e distribuídos?

Artefatos comuns:

  • diagramas de contexto/containers/componentes (ex.: C4)
  • ADRs (Architecture Decision Records)
  • padrões e contratos de integração (APIs, eventos, SLAs internos)

Arquitetura é “o desenho do funcionamento”. Nem sempre aparece na tela, só que determina o que é possível entregar com confiabilidade.

Pessoa trabalhando em frente a um monitor grande com um diagrama técnico na tela, representando arquitetura de software.

O que é design system?

Design System é um conjunto de padrões, componentes e diretrizes para manter consistência na interface e na experiência do usuário. Ele acelera a construção de telas e evita que cada squad “reinvente” botões, formulários, mensagens, ícones e comportamentos.

Perguntas típicas de design system:

  • Como componentes se parecem e se comportam (inputs, botões, tabelas, modais)?
  • Como o produto comunica erros, estados de loading, confirmações e avisos?
  • Quais são as regras de acessibilidade, contraste, foco, navegação por teclado?
  • Quais tokens definem cores, tipografia, espaçamento, grid e iconografia?
  • Como garantir consistência entre web, mobile e produtos diferentes?

Artefatos comuns:

  • biblioteca de componentes (Figma/Storybook)
  • guidelines de uso e conteúdo (microcopy)
  • design tokens e padrões de acessibilidade

Design system é “o desenho da interface e das interações”. Ele pode ter código (componentes em React/Vue etc.), só que continua sendo uma disciplina de consistência e experiência.

Diferenças na prática 

Uma forma simples de separar:

Escopo

Arquitetura: sistema como um todo (front, back, integrações, dados, operação).

Design System: camada de interface e experiência do usuário.

Tipo de decisão

Arquitetura: decisões estruturais difíceis de reverter e com impacto amplo.

Design System: decisões de padronização e comportamento de UI, com impacto forte em consistência e velocidade de entrega.

Como o problema aparece

Arquitetura: instabilidade, gargalos, falhas de integração, custos altos de manutenção, deploys arriscados.

Design System: inconsistência visual, UX fragmentada, retrabalho em telas, componentes duplicados, acessibilidade negligenciada.

Como o usuário percebe

Arquitetura: lentidão, erros intermitentes, falhas em fluxos críticos, indisponibilidade.

Design System: experiência confusa, interface “desalinhada”, padrões diferentes para a mesma ação.

Há interseção entre os dois, principalmente no front-end moderno. Mesmo assim, o objetivo de cada um segue distinto.

FAQ: dúvidas comuns

  1. “Se temos Design System, a arquitetura do front está resolvida?”

Não. O Design System padroniza componentes e interações. Arquitetura de front trata de organização do código, estado, roteamento, dependências, integração com APIs, estratégia de build, performance, versionamento e deploy.

Um time pode ter um Design System excelente e um front-end com acoplamento excessivo, baixa testabilidade e regressões frequentes após mudanças pequenas.

  1. “Se mudamos para microsserviços, o Design System precisa mudar?”

Em geral, não. Microsserviços são decisão arquitetural. O Design System pode continuar igual. O que muda é o impacto nos testes e na confiabilidade: há mais integrações, mais contratos e mais pontos de falha possíveis.

  1. “Uma component library é um Design System completo?”

Normalmente não. A biblioteca é parte importante, só que um Design System inclui diretrizes de uso, princípios de UX, acessibilidade, conteúdo e governança (quem aprova mudanças, como versiona, como comunica).

Pessoa criando wireframes em papel ao lado de computador e notebook, com paletas de cores sobre a mesa, indicando trabalho de design system.

Um exemplo rápido: checkout de e-commerce

No checkout, arquitetura define coisas como:

  • Integração com gateway de pagamento
  • Idempotência para evitar cobrança duplicada
  • Timeouts e retries para não travar a compra
  • Observabilidade para rastrear falhas (logs, tracing)
  • Consistência de carrinho, estoque e preço

Já o Design System define:

  • Como o formulário valida campos e apresenta erros
  • Estados de loading e bloqueio do botão “Pagar”
  • Padrões de mensagens de confirmação e falha
  • Acessibilidade do formulário (foco, teclado, leitura por screen reader)

Esse recorte importa porque checkout é fluxo crítico. O Baymard Institute mede de forma recorrente uma taxa média de abandono de carrinho em torno de ~70% (Baymard Institute, Cart Abandonment Rate Statistics). Nem todo abandono é erro técnico, só que qualquer falha de UX ou instabilidade no pagamento transforma conversão em risco.

O impacto para QA: o que testar em cada camada

Quando o time entende a diferença, QA ganha precisão. Você testa o que realmente pode quebrar, com o tipo de teste adequado.

Mudanças em Design System: foco em consistência e comportamento de UI

Aqui entram testes de:

  • Regressão de componentes (inputs, botões, modais, tabelas)
  • Validações e mensagens de erro (texto, estado, acessibilidade)
  • Navegação por teclado, foco, contraste
  • Comportamento em estados de loading, empty state e erro

Esse tipo de mudança costuma gerar bugs “visíveis” e recorrentes, principalmente quando vários produtos compartilham componentes.

Mudanças de arquitetura: foco em integrações, contratos e resiliência

Aqui entram testes de:

  • Integração (serviço A → serviço B, filas, eventos)
  • Contrato de API (requests, schemas, versionamento)
  • Performance e concorrência
  • Cenários de falha (timeout, fallback, retry, degradação)
  • Validação ponta a ponta de jornadas críticas

Arquitetura ruim aparece muito na experiência final: páginas carregam lento, APIs oscilam, fluxos quebram de forma intermitente. Em mobile, isso é especialmente sensível. O relatório “The Need for Mobile Speed” aponta que 53% dos usuários abandonam sites mobile que demoram mais de 3 segundos para carregar (Google/SOASTA, 2017). Nem toda lentidão vem de arquitetura, só que arquitetura define grande parte do caminho: chamadas em cascata, APIs lentas, dependências instáveis.

Como o TestBooster.ai pode ajudar

O TestBooster.ai é uma plataforma SaaS de automação de testes com IA que funciona como um quality hub: uma central única para organizar, executar e acompanhar a qualidade de software em toda a empresa. Em vez de apenas rodar testes, ele conecta iniciativas espalhadas (como automações já existentes em Selenium, Cypress ou Playwright) e consolida tudo em relatórios e dashboards unificados. Isso ajuda a diferenciar rapidamente falhas de interface e consistência, mais ligadas a mudanças de Design System, de problemas de integração, desempenho e estabilidade, comuns em decisões de arquitetura. Com execuções agendadas e visibilidade em tempo real, o time reduz retrabalho, ganha rastreabilidade e prioriza correções com base em impacto no negócio.

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