Como o time de QA pode ajudar a reduzir a dívida técnica?

Quando o assunto é dívida técnica, a conversa costuma ser direcionada aos times de desenvolvimento. “Isso é problema do dev.” Faz sentido, afinal, é no código onde a dívida nasce. Só que o QA, na maioria das vezes, é quem sente os efeitos dessa dívida primeiro, antes de qualquer outra pessoa. E isso coloca o time em uma posição estratégica que, quando bem aproveitada, transforma reclamação em argumento, e argumento em mudança.
O que é dívida técnica?
Dívida técnica é o custo futuro de decisões tomadas no presente para ganhar velocidade. Um código remendado para cumprir prazo, uma funcionalidade entregue sem cobertura de testes, um fluxo crítico que nunca foi documentado, tudo isso entra na conta.
Estima-se que a dívida técnica acumulada em software nos EUA chegou a US$ 1,52 trilhão, com um custo anual de software de baixa qualidade que ultrapassa US$ 2,41 trilhões (CISQ Cost of Poor Software Quality Report, 2022). Para completar o cenário, uma pesquisa da McKinsey de 2023 aponta que a dívida técnica representa cerca de 40% dos ativos de TI das empresas (McKinsey Digital).
Não é um problema periférico. É o tipo de coisa que desacelera entregas, aumenta o custo de manutenção e abre brechas de segurança, às vezes sem que ninguém perceba até ser tarde.
Por que o QA sente isso antes de todo mundo?
Pense no que acontece quando a dívida técnica cresce sem controle: testes de regressão que quebram com qualquer mudança pequena, bugs que voltam a aparecer depois de corrigidos, jornadas críticas do usuário que funcionam numa hora e não funcionam em outra.
Quem identifica isso? O time de QA.
Só que, na prática, essa percepção fica presa na esfera técnica. O QA abre o ticket, o dev corrige o sintoma, e o problema estrutural continua lá. Esse ciclo se repete até que o acúmulo de remendos se torne insustentável.
O que muda quando o time de QA para de apenas reagir e começa a usar esses dados como evidência? A conversa sobe de nível.
O que o time de QA pode fazer para reduzir essa dívida?
- Mapear os fluxos críticos que nunca foram automatizados
Todo produto tem jornadas que precisam funcionar sem falha, o processo de checkout, o login, a abertura de conta, o envio de um formulário importante. Em muitas empresas, esses fluxos são testados manualmente, de forma esporádica, por uma pessoa diferente a cada sprint. Isso não é cobertura de testes; é esperança.
O QA pode mapear esses fluxos, priorizar pelos de maior impacto no negócio e começar a automatizá-los sistematicamente. Cada fluxo automatizado é uma parte da dívida sendo paga.
- Transformar testes manuais repetitivos em automações recorrentes
Testes manuais que rodam toda semana são candidatos imediatos à automação. Além de liberar o time para trabalho mais estratégico, eles garantem consistência: o mesmo fluxo, testado da mesma forma, toda vez.

- Usar padrões de falha como argumento, não só como relatório
Se um bug específico aparece toda vez que determinado módulo é alterado, isso não é azar. É sinal de algo estrutural. O QA que coleta esse histórico e apresenta o padrão para o time de desenvolvimento e para a gestão está oferecendo inteligência, não só documentação.
- Entrar no ciclo antes, não depois
Grande parte da dívida técnica nasce porque o QA entra no processo muito tarde, quando o código já está pronto e o prazo já está apertado. Participar das revisões de requisitos, das definições de critérios de aceite e das discussões de arquitetura reduz significativamente o número de problemas que chegam à fase de teste.
O maior obstáculo: fragmentação e falta de visibilidade
Muitos times de QA trabalham em silos. Uma squad usa Selenium, outra usa Cypress, uma terceira mantém testes manuais em planilhas. Os relatórios ficam espalhados, cada ferramenta fala uma linguagem diferente, e o gestor que tenta ter uma visão consolidada da qualidade acaba desistindo.
Essa fragmentação é, ela própria, uma forma de dívida técnica. Quando não há centralização, não há como identificar padrões, priorizar esforços ou demonstrar o impacto real do trabalho de QA para quem toma decisões.
Como a automação inteligente muda esse cenário
Automatizar testes não é suficiente por si só. O que faz diferença é automatizar com consistência, com visibilidade e com resiliência, testes que não quebram toda vez que um campo muda de nome ou uma tela é redesenhada.
É exatamente aqui que o TestBooster.ai entra. A plataforma funciona como um lugar único onde todos os testes da empresa ficam centralizados, agendados e monitorados em tempo real.
Os relatórios gerados não são apenas técnicos. Eles são pensados para falar com QAs, desenvolvedores e gestores ao mesmo tempo, traduzindo dados de qualidade em impacto de negócio. Que é exatamente o tipo de linguagem que coloca o QA na mesa de decisões.

QA como agente estratégico
Existe uma percepção antiga, e equivocada, de que o time de QA é um filtro no final do processo, o departamento que aprova ou reprova o que o desenvolvimento entrega. Essa visão já não faz sentido em nenhum time sério.
O QA que tem dados consolidados, automações funcionando de forma contínua e relatórios que mostram padrões históricos tem algo muito mais poderoso do que a capacidade de travar um deploy. Tem o argumento para mudar como o software é construído.
Dívida técnica deixa de ser uma queixa informal e passa a ter nome, número, histórico e impacto mensurável. É com esse material que se constrói uma conversa real com produto, engenharia e gestão, e é assim que o QA vira parte ativa da solução.
Conclusão
Reduzir dívida técnica não é responsabilidade exclusiva do time de desenvolvimento. O QA está numa posição privilegiada para identificar onde os problemas se acumulam, documentar padrões e liderar mudanças estruturais, desde que tenha as ferramentas e os processos certos para isso.
Se o seu time ainda está preso em testes manuais repetitivos, relatórios fragmentados e automações que quebram a cada deploy, vale conhecer o TestBooster.ai. A plataforma foi construída para resolver exatamente esses problemas, e para transformar qualidade de software em vantagem competitiva real.


